O PROCESSO DO PECADO SEXUAL

07/07/2009 23:19

Por STEVE VIARS

 

O artigo abaixo é uma sinopse da sessão plenária de Steve Viars na pré-conferência do NANC 2003 sobre "Pecado Sexual".


Nós vivemos numa cultura enlouquecida pelo sexo. Num ano recente, a U.S. News e a World Report declararam que a indústria pornográfica arrecadou mais que oito bilhões de dólares, ultrapassando todas as receitas geradas pela música country e o rock, sendo mais do que a América gastou com as produções da Brodway, teatro, balé, jazz e música clássica juntos. O web site da Playboy sozinho recebe cinco milhões de acessos todos os dias.

A Long-On Data Corporation informa que são 72.000 sites de sexo explícito na internet, com uma estimativa de 266 novos sites pornográficos adicionados a cada dia. O efeito da pornografia sobre as tendências do relacionamento social é, também, importante. Estima-se que uma em cada três garotas e um em cada sete rapazes serão molestados sexualmente antes dos dezoito anos. Algumas estatísticas sugerem que um molestador típico de crianças se aproveitará de mais que 360 vítimas durante seu tempo de vida e será capaz de abusar entre trinta e sessenta crianças antes que seja pego pela primeira vez. Num estudo sobre molestadores de crianças condenados, 77% que abusaram de garotos e 87% de garotas disseram que foram consumidores regulares de pornografia hard-core.

Mais uma situação que deve, sem dúvida, chamar nossa atenção como líderes é que conforme a entidade Focus on the Family, uma em cada sete chamadas recebidas no seu serviço de aconselhamento para pastores inclui a pornografia de internet.


Tiago 1.14-15 menciona três princípios para ajudar o povo de Deus a vencer o combate com o pecado sexual:

Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Aprenda que o pecado sexual é um processo que começa bem antes do ato.

O ponto central do texto é que o pecado sexual envolve alguns passos específicos e identificáveis. A fonte da tentação são as nossas cobiças, da palavra grega epithumia. Conselheiros bíblicos seriam sábios se aprendessem tudo o que podem sobre este conceito bíblico particular.

Deus nos fez seres que desejam. Esta é a chave para entender a motivação humana. Parte do processo de aconselhamento é ajudar homens e mulheres a identificarem os desejos de seus corações, especialmente em situações em que eles desagradam a Deus regularmente. Geralmente, faço duas perguntas no aconselhamento: "O que você quis tão perversamente que se dispôs a pecar, a ponto de fazer isso?" e "O que você quis tão perversamente que se dispôs a pecar, quando não deveria fazer isso?". Fundamentalmente, isso é um resultado da idolatria porque os desejos de uma pessoa revelam o seu deus funcional.

Com certeza, alguns podem contestar que é impossível controlar seus desejos. Esta é uma questão teológica central que precisa ser debatida. O Kittle’s Theological Dictionary of the New Testament explica que epithumia é "um impulso da vontade". Em outras palavras, nós escolhemos aquilo que queremos.

Tiago, também, explica nesta passagem que se nós não controlarmos nossos desejos com a verdade bíblica, eles terão poder para nos seduzir e nos afastar. O quadro aqui é de um peixe fisgado ou de um animal que caiu em armadilha. Alguns podem se sentir desconfortáveis com os seres humanos sendo apresentados como se fossem animais, já que fomos feitos à imagem de Deus. Mas, eu creio que precisamos reconhecer a capacidade dos seres humanos para viver bem diferente dos animais, apenas se escolherem viver no poder de Deus. No outro lado desta equação, se os seres humanos escolhem rejeitar a Deus e Sua Palavra, muitas das escolhas de seu estilo de vida irão escravizá-los absolutamente. Eles experimentarão fraqueza e vício como um animal que caiu em armadilha.

O próximo passo nesse processo é um ato pecaminoso. É interessante e sensato perceber que Tiago movimenta as metáforas aqui. Desejos incontrolados dão à luz ações pecaminosas. Isso não significa que os desejos precedentes são neutros ou aceitáveis, mas agora, as ações pecaminosas são "seres" gerados por um coração pecaminoso.

A questão central é que nossos aconselhados nunca alcançarão melhora nesta área de suas vidas, até entenderem que o pecado sexual é um processo que começa bem antes do ato.

Aprenda a parar o pecado sexual onde ele começa pelo poder de Deus.

Uma das implicações de conhecer esse processo é identificar a cobiça ou o desejo específico do coração que conduziu ao comportamento. Pessoas pecam sexualmente por diferentes razões. Algumas das cobiças comuns que levam ao pecado sexual são:

A. Desejo por gratificação imediata…
O pecado sexual, especialmente quando é pornografia de internet, prostituição ou infidelidade conjugal produz uma sensação pessoal de um modo particular sem precisar percorrer o difícil trabalho relacional. O sujeito quer prazer que vem com o relaxamento sexual sem a necessidade de caminhar pelo empenho do envolvimento relacional na construção de um casamento piedoso.

B. Desejo pela aprovação do homem
No pecado sexual, em nível de coração, a pessoa é o grande homem do campus da Universidade, a mais bela pessoa da praia, a pessoa mais atrativa do escritório. Então, imaginam outras pessoas lisonjeando sua sexualidade de maneira que nunca ocorreria na vida real. É por isso que, provavelmente, as pessoas envolvidas em pornografia se tornam violentas, freqüentemente. Porque as pessoas da vida real não as tratam como as das suas fantasias. É basicamente o pecado do orgulho, uma forma vulgar de amor próprio que deseja ser o centro do drama, o herói do jogo.

C. Desejo por controle
No pecado sexual, a pessoa se encontra no comando de tudo e de todos. Não há perguntas ou recusas. É a estrela do filme, o diretor do filme e o telespectador, também.

D. Desejo de ser Deus
Esta pessoa deseja uma vida em que não haja conseqüências, causa e efeito e nem regras: apenas determine o que você quer. Esta pessoa crê que pode pensar e fazer aquilo que deseja, não mantém limites.

Uma vez que tais desejos são identificados, é hora de mortificá-los. O impacto do evangelho no progresso da vida do crente não é apenas uma mensagem de vida e ressurreição, mas também, de morte e crucificação. Esta é a raiz do verdadeiro ódio ao pecado, não apenas o pecado das ações sexuais, porém, ainda, dos pensamentos sexuais ilícitos.

A próxima implicação do entendimento do processo é optar por desejos que honrem a Deus. Os passos que Tiago descreve podem ser revertidos, na demonstração do amor de alguém por Cristo mediante a escolha de desejos na vida sexual de alguém que o honra.

Esteja convencido de que as conseqüências em falhar na interrupção deste processo são severas.

Tiago completa a metáfora pela descrição de um aborto: "quando o pecado é completado, produz morte". Homens e mulheres pegos pelo pecado sexual sofrem a morte espiritual de ser um estranho para Deus.

É, ainda, a morte de relacionamentos. Recentemente, uma de minhas aconselhadas descobriu que seu marido estava envolvido com pornografia de internet. Ela descreveu a lenta morte de seu casamento em palavras como estas: "Eu sabia que algo estava errado, mas sempre pensei que eu fosse a responsável. Eu cri que se perdesse mais peso ou se eu tentasse mais intensamente satisfazê-lo, as coisas melhorariam. Eu estou tão irada, doente, confusa e desapontada ao descobrir que todo este tempo ele tinha uma amante".

Com certeza, a boa notícia é que "onde abundou o pecado, a graça superabundou" (Rm 5.20). Todo seguidor pode aprender a "possuir seu próprio corpo em santificação e honra" (1 Ts 4.4). Deus nos informou acerca do processo, a fim de que o revertêssemos no momento mais cedo possível.

Ver cristãos praticarem esse princípio é exatamente o que a nossa cultura enlouquecida pelo sexo precisa.
 
Artigo em inglês disponível em http://www.nanc.org/
 
Tradução: Tiago Abdalla T. Neto

 

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