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5 MOTIVOS DE GRATIDÃO PELA VIDA DE JOÃO CALVINO - 500 ANOS APÓS O SEU NASCIMENTO

11/07/2009 02:41

 
 
 
Querido Pai,
 
tu sabes o quanto usaste teu servo Jean Cauvin e quão valioso foi o serviço dele em favor da Igreja de Cristo. Quero agradecer-Te por cinco motivos nos quais a vida e pensamento de Calvino foram e são importantes em meu dia-a-dia e no meu ministério:
  1. Obrigado por lembrares mediante seus escritos sobre a terrível condição de nossa alma e de nosso pecado que nos afasta de Ti. Agradeço ao Senhor porque ele pregou a verdade bíblica de que nosso coração é uma fábrica perpétua de ídolos, de onde procedem "todos os labirintos de erro no mundo".
  2. Louvo-Te porque Calvino nos chamou a atenção para Pessoa e Obra de Cristo como nossa esperança de salvação: "irremediável era, certamente, a situação, a não ser que até nós descesse a própria majestade de Deus, já que não estava no nosso alcance o ascender [até ele]".
  3. Agradeço por seu ensino acerca de Tua Palavra, exortando-nos de que ela é a verdade que nos faz entender o mundo, "os óculos" que tornam clara a Tua glória revelada na criação.
  4. Muito obrigado pelo destaque que ele deu à doutrina de Tua soberania e providência, consolando irmãos durante seu ministério e muitos outros crentes após sua morte. Lembrou-nos de que não devemos perscrutar além do que devemos nas situações difíceis, mas confiar na salvação final que operarás em nós.
  5. Finalmente, louvo-te porque não lhe deste o sossego que ele tanto anelava para seus estudos, mas o fizeste passar pela desafiadora tarefa de pastorear almas e influenciar vidas. Assim, Calvino nos ensinou que é possível sermos pastores com um profundo conhecimento de Tua Palavra e, ao mesmo tempo, termos uma sensibilidade profunda para com a aplicação dela na vida de Teus filhos.
Em nome de Jesus,
Amém!

 

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ARMADILHAS DO CORAÇÃO

07/07/2009 23:27

INTRODUÇÃO

Você já parou para pensar o quanto somos idólatras? O quanto dependemos de outras coisas e colocamos nossa confiança em objetos ou pessoas que não são o Deus verdadeiro?
A televisão e a mídia nos ensinam isso:

‘Se você tiver o carro tal, aí você será feliz...".
"Faça sua conta no banco tal e seus problemas acabarão".
"Imagem não é nada, sede é tudo, satisfaça sua sede!", dizia a antiga propaganda do refrigerante Sprite.

Todas essas propagandas e muitas outras apontam na direção de objetos, fazendo deles extremamente necessários e fundamentais para a nossa vida. Como se nossa vida não pudesse continuar e seguir adiante sem aquilo que a propaganda oferece.
Influenciados pela Teologia da Necessidade, compramos a idéia moderna. Achamos que precisamos de certas pessoas ou coisas sem as quais jamais poderemos viver. Por isso, quero compartilhar com vocês algo que tenho aprendido em minha caminhada com o Senhor. Peço que vocês se dirijam comigo lá para o livro de Êxodo, no capítulo 32, versos de 1-8 e encontraremos ali, duas armadilhas.


A FALTA DE DEPENDÊNCIA DO DEUS INVISÍVEL – vv. 1-4
A primeira armadilha que é a causa da própria idolatria é destacada nos versos 1-4. Moisés havia subido ao monte Sinai para receber os mandamentos que Deus daria ao povo de Israel (24.12, 18). Lá se demorou com Deus 40 dias (24.18). O povo no meio do deserto, vendo que Moisés tardava em voltar, faz um pedido a Arão que ficara responsável por cuidar do povo enquanto Moisés estivesse no Monte diante da presença de Deus (24.14). Eles querem um deus que os guiasse em sua caminhada pelo deserto (v. 1). Mas qual o motivo? Deus não havia cuidado deles e os tirado do Egito? Por que, então, pedir para que Arão fizesse um deus? A razão é dada pelo próprio povo. Porque Moisés, o homem que os havia tirado do Egito, não aparecera e não sabiam o que se passara com ele. Perceba que a confiança quanto a libertação do Egito não estava posta sobre Deus, mas sim, sobre o homem que Deus usara para libertar o povo.

Várias vezes o livro de Êxodo apresenta o responsável pela libertação do povo da escravidão do Egito (Ex 12.42; 13.9, 16; 16.6; 20.2; 29.46). Sempre Deus é o Salvador. Aquele que tirou Seu povo escolhido do jugo da escravidão egípcia. Mas aqui Moisés é considerado pelo povo como o responsável e o fato de ele não estar presente levou-os a querer fazer deuses que pudessem ver e tocar assim como era visível a figura de Moisés.


Deus já havia dado o remédio para a idolatria em Êxodo 20.2, 3 e o povo havia se comprometido a obedecê-los (Ex 24.3). Ironicamente, os versos de 1-4 são o exemplo de como desobedecer exatamente os mandamentos que Deus havia estipulado para a nação israelita. Primeiro se esqueceram que Deus fora o responsável pela libertação, exatamente o que a introdução de Êxodo 20 (os dez mandamentos) faz questão de lembrar. Como conseqüência, desejaram ter outro deus que não o Senhor, o primeiro mandamento que está ligado à introdução. Deus como o libertador era o único digno de ser reconhecido como Deus, pois, agora, Israel pertencia exclusivamente a Ele e não mais ao Faraó.

E, então, fizeram uma imagem de escultura, algo que havia sido condenado no segundo mandamento. Pois Deus era esse Deus "absconditus" como chamava Martinho Lutero. Uma mistura de nuvem com coluna de fogo. Que se aproximou do povo no Monte de Sinai em uma mistura de trovão, raios, chamas de fogo, fumaça e um forte som de trombeta (Êx 19.16ss). Um Deus incomparável que imagem nenhuma poderia representar. Mas o povinho duro de coração (v. 9), ainda não aprendera com todas as experiências que haviam presenciado e fizeram uma imagem de um bezerro. Exatamente como haviam aprendido no Egito. O deus Ápis era representado por um bezerro e trazia a idéia de poder e fertilidade. O tempo no deserto ainda não fora suficiente para limpar a maldade do coração idólatra de Israel.

Mas, tudo começou quando deixaram de reconhecer o verdadeiro responsável pela libertação do povo. Quando atribuíram sua libertação não ao Deus invisível, mas ao Moisés que já não podia mais ser encontrado. Este estava, pelo menos, no mesmo nível de Deus dentro do pensamento do povo. Encaravam sua dependência como se encontrando em Moisés e por isso caminharam para a idolatria.

Conosco, hoje, esse mesmo processo acontece. Quando colocamos nossa dependência em objetos ou pessoas que não Deus, caminhamos para a idolatria. Queremos algo palpável. Deus parece "um ser distante", e por isso, é preferível e mais garantido confiar no que podemos tocar e ver. É mais fácil dizer:

· Foi o trabalho que me deu dinheiro até agora pra pagar a faculdade.
· É o trabalho que vai garantir meu futuro, esse negócio de Deus não dá estabilidade financeira pra ninguém. Por isso, não posso parar de trabalhar!
· É o meu namoro ou amizades que me dá (ão) alegria para viver.
· É o estudo da faculdade que garantirá o meu futuro!
· É minha família que me dá segurança e sustento, se alguém morrer não sei o que será de mim!
· Eu preciso correr atrás disso, desesperadamente, porque se eu não correr, não irei alcançar o que preciso.
· Eu preciso comer isso pra tranqüilizar minha ansiedade.


"Bênçãos de Deus podem se tornar em maldição quando passam a ser ídolos do nossocoração"


OBEDIÊNCIA AO ÍDOLO – vv. 5, 6
Já que o representante de Javé não se encontrava ali, então, o próprio bezerro passou a receber o nome de Deus. Mais um mandamento quebrado, agora o terceiro, "não tomará o nome do SENHOR – Javé - teu Deus em vão". Não bastava colocar sua dependência em alguém que não fosse Deus, agora, chamavam o próprio bezerro do nome que pertencia ao Senhor (v. 5). E isto, implicava não só em dependência do bezerro para guiar o povo (v. 1), mas também, em dispor seus corações em aliança com o bezerro. Agora, se colocavam em reverência ao bezerro para fazer a sua vontade e cultuá-lo em conformidade com culto que aprenderam no Egito. A conseqüência foi que como parte do culto (sacrifícios, comida e bebida) havia, também, uma verdadeira orgia. Um ritual sexual (v. 6). Eles, realmente, entregaram-se à farra como era costume nos cultos do Egito. Deus deixou de ser Senhor, o que Ele havia pedido para o povo já não importava mais. O que valia era curtir o momento. Satisfazer às paixões. Não havia mais absoluto, não havia mais pureza, não havia mais santidade (Êx 19.5, 6).

Sempre quando nós passamos a colocar qualquer pessoa ou objeto no lugar de Deus, a conseqüência é deixarmos de prestar reverência a Deus e passamos a prestar reverência e obediência ao ídolo.

Deixo de ter tempo com Deus (Mt 6.31) e com o povo de Deus (Hb 3.12, 13; 10.24) para dedicar tempo ao meu ídolo trabalho ou estudo, pois ele exige isso de mim. "O trabalho ou o estudo é o meu pastor e nada me faltará" .


Passo a ficar ansioso por algo e deixo de confiar em Deus. "Lancem as suas ansiedades sobre a comida ou sobre alguém que pode te ajudar e ela (e) cuidará de você".

Eu desonro a Deus no meu namoro e quebro princípios estabelecidos por Ele por amor à minha namorada ou ao meu namorado. "Como a corça suspira pelas águas, assim a minha alma suspira por meu namorado".

Eu passo mentir ou concordar com coisas erradas sem me posicionar porque se eu obedecer a Deus, vou perder o emprego ou amigos.

CONCLUSÃO
Nessa minha caminhada conhecendo o Aconselhamento Bíblico, aprendi com David Powlinson que uma das maneiras que Deus usa para livrar as pessoas do engano dos ídolos é zombar da insignificância desses ídolos. Isaías 44.9-20 estabelece esse tipo de situação. Hoje eu quero terminar zombando dos ídolos de nosso coração!!

A INSENSATEZ DA IDOLATRIA

Ai que tolo que fui! Coloquei minha esperança no trabalho,
achando que ele me daria segurança financeira e possibilidades de crescimento. Trabalhei, trabalhei e trabalhei até não poder mais,
até não ter tempo para Deus e Sua igreja.
Fiz vista grossa para com as desonestidades que aconteciam
porque afinal de contas: "O trabalho era meu pastor e nada me faltaria!"
Foi, então, que vi a besteira que fiz!
A empresa teve que fazer corte nos seus gastos e demitir funcionários
E aquilo que me dava segurança,
chutou meu traseiro e me deixou com a cara na rua!


Como sou estúpida! Achava que meu namorado era fonte de minha alegria e prazer
Fazia tudo por ele! Até o que não devia.
Dizia eu no meu coração: "A quem tenho nos céus senão a ti?
E na terra, nada mais desejo de estar junto a ti".
Tudo era maravilhoso até ele conhecer uma outra moça,
mais bonita, inteligente e simpática.
Todo o romance acabou e marcada eu fiquei
Fui mais uma das garotas "ingênuas" que ele enganou.

Como fui capaz disso! Achava que as formas daqueles corpos me dariam prazer
Revistas, filmes e mulheres que passavam pela rua,
Afinal, não prejudicava a ninguém.
Sempre pensava: "Playboy, tu és o meu Deus, eu te busco intensamente;
A minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti,
numa terra seca, exausta e sem água".
Tudo parecia ir bem. Ninguém mais sabia.
Caminhava eu na estrada da destruição.
Destruí o relacionamento com minha esposa e filhos,
Perdi a honra e arruinei oportunidades de ministério.
É o que só podia se esperar quando desprezei a sabedoria e o ensino

 

Pr. Tiago Abdalla T. Neto

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O PROCESSO DO PECADO SEXUAL

07/07/2009 23:19

Por STEVE VIARS

 

O artigo abaixo é uma sinopse da sessão plenária de Steve Viars na pré-conferência do NANC 2003 sobre "Pecado Sexual".


Nós vivemos numa cultura enlouquecida pelo sexo. Num ano recente, a U.S. News e a World Report declararam que a indústria pornográfica arrecadou mais que oito bilhões de dólares, ultrapassando todas as receitas geradas pela música country e o rock, sendo mais do que a América gastou com as produções da Brodway, teatro, balé, jazz e música clássica juntos. O web site da Playboy sozinho recebe cinco milhões de acessos todos os dias.

A Long-On Data Corporation informa que são 72.000 sites de sexo explícito na internet, com uma estimativa de 266 novos sites pornográficos adicionados a cada dia. O efeito da pornografia sobre as tendências do relacionamento social é, também, importante. Estima-se que uma em cada três garotas e um em cada sete rapazes serão molestados sexualmente antes dos dezoito anos. Algumas estatísticas sugerem que um molestador típico de crianças se aproveitará de mais que 360 vítimas durante seu tempo de vida e será capaz de abusar entre trinta e sessenta crianças antes que seja pego pela primeira vez. Num estudo sobre molestadores de crianças condenados, 77% que abusaram de garotos e 87% de garotas disseram que foram consumidores regulares de pornografia hard-core.

Mais uma situação que deve, sem dúvida, chamar nossa atenção como líderes é que conforme a entidade Focus on the Family, uma em cada sete chamadas recebidas no seu serviço de aconselhamento para pastores inclui a pornografia de internet.


Tiago 1.14-15 menciona três princípios para ajudar o povo de Deus a vencer o combate com o pecado sexual:

Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

Aprenda que o pecado sexual é um processo que começa bem antes do ato.

O ponto central do texto é que o pecado sexual envolve alguns passos específicos e identificáveis. A fonte da tentação são as nossas cobiças, da palavra grega epithumia. Conselheiros bíblicos seriam sábios se aprendessem tudo o que podem sobre este conceito bíblico particular.

Deus nos fez seres que desejam. Esta é a chave para entender a motivação humana. Parte do processo de aconselhamento é ajudar homens e mulheres a identificarem os desejos de seus corações, especialmente em situações em que eles desagradam a Deus regularmente. Geralmente, faço duas perguntas no aconselhamento: "O que você quis tão perversamente que se dispôs a pecar, a ponto de fazer isso?" e "O que você quis tão perversamente que se dispôs a pecar, quando não deveria fazer isso?". Fundamentalmente, isso é um resultado da idolatria porque os desejos de uma pessoa revelam o seu deus funcional.

Com certeza, alguns podem contestar que é impossível controlar seus desejos. Esta é uma questão teológica central que precisa ser debatida. O Kittle’s Theological Dictionary of the New Testament explica que epithumia é "um impulso da vontade". Em outras palavras, nós escolhemos aquilo que queremos.

Tiago, também, explica nesta passagem que se nós não controlarmos nossos desejos com a verdade bíblica, eles terão poder para nos seduzir e nos afastar. O quadro aqui é de um peixe fisgado ou de um animal que caiu em armadilha. Alguns podem se sentir desconfortáveis com os seres humanos sendo apresentados como se fossem animais, já que fomos feitos à imagem de Deus. Mas, eu creio que precisamos reconhecer a capacidade dos seres humanos para viver bem diferente dos animais, apenas se escolherem viver no poder de Deus. No outro lado desta equação, se os seres humanos escolhem rejeitar a Deus e Sua Palavra, muitas das escolhas de seu estilo de vida irão escravizá-los absolutamente. Eles experimentarão fraqueza e vício como um animal que caiu em armadilha.

O próximo passo nesse processo é um ato pecaminoso. É interessante e sensato perceber que Tiago movimenta as metáforas aqui. Desejos incontrolados dão à luz ações pecaminosas. Isso não significa que os desejos precedentes são neutros ou aceitáveis, mas agora, as ações pecaminosas são "seres" gerados por um coração pecaminoso.

A questão central é que nossos aconselhados nunca alcançarão melhora nesta área de suas vidas, até entenderem que o pecado sexual é um processo que começa bem antes do ato.

Aprenda a parar o pecado sexual onde ele começa pelo poder de Deus.

Uma das implicações de conhecer esse processo é identificar a cobiça ou o desejo específico do coração que conduziu ao comportamento. Pessoas pecam sexualmente por diferentes razões. Algumas das cobiças comuns que levam ao pecado sexual são:

A. Desejo por gratificação imediata…
O pecado sexual, especialmente quando é pornografia de internet, prostituição ou infidelidade conjugal produz uma sensação pessoal de um modo particular sem precisar percorrer o difícil trabalho relacional. O sujeito quer prazer que vem com o relaxamento sexual sem a necessidade de caminhar pelo empenho do envolvimento relacional na construção de um casamento piedoso.

B. Desejo pela aprovação do homem
No pecado sexual, em nível de coração, a pessoa é o grande homem do campus da Universidade, a mais bela pessoa da praia, a pessoa mais atrativa do escritório. Então, imaginam outras pessoas lisonjeando sua sexualidade de maneira que nunca ocorreria na vida real. É por isso que, provavelmente, as pessoas envolvidas em pornografia se tornam violentas, freqüentemente. Porque as pessoas da vida real não as tratam como as das suas fantasias. É basicamente o pecado do orgulho, uma forma vulgar de amor próprio que deseja ser o centro do drama, o herói do jogo.

C. Desejo por controle
No pecado sexual, a pessoa se encontra no comando de tudo e de todos. Não há perguntas ou recusas. É a estrela do filme, o diretor do filme e o telespectador, também.

D. Desejo de ser Deus
Esta pessoa deseja uma vida em que não haja conseqüências, causa e efeito e nem regras: apenas determine o que você quer. Esta pessoa crê que pode pensar e fazer aquilo que deseja, não mantém limites.

Uma vez que tais desejos são identificados, é hora de mortificá-los. O impacto do evangelho no progresso da vida do crente não é apenas uma mensagem de vida e ressurreição, mas também, de morte e crucificação. Esta é a raiz do verdadeiro ódio ao pecado, não apenas o pecado das ações sexuais, porém, ainda, dos pensamentos sexuais ilícitos.

A próxima implicação do entendimento do processo é optar por desejos que honrem a Deus. Os passos que Tiago descreve podem ser revertidos, na demonstração do amor de alguém por Cristo mediante a escolha de desejos na vida sexual de alguém que o honra.

Esteja convencido de que as conseqüências em falhar na interrupção deste processo são severas.

Tiago completa a metáfora pela descrição de um aborto: "quando o pecado é completado, produz morte". Homens e mulheres pegos pelo pecado sexual sofrem a morte espiritual de ser um estranho para Deus.

É, ainda, a morte de relacionamentos. Recentemente, uma de minhas aconselhadas descobriu que seu marido estava envolvido com pornografia de internet. Ela descreveu a lenta morte de seu casamento em palavras como estas: "Eu sabia que algo estava errado, mas sempre pensei que eu fosse a responsável. Eu cri que se perdesse mais peso ou se eu tentasse mais intensamente satisfazê-lo, as coisas melhorariam. Eu estou tão irada, doente, confusa e desapontada ao descobrir que todo este tempo ele tinha uma amante".

Com certeza, a boa notícia é que "onde abundou o pecado, a graça superabundou" (Rm 5.20). Todo seguidor pode aprender a "possuir seu próprio corpo em santificação e honra" (1 Ts 4.4). Deus nos informou acerca do processo, a fim de que o revertêssemos no momento mais cedo possível.

Ver cristãos praticarem esse princípio é exatamente o que a nossa cultura enlouquecida pelo sexo precisa.
 
Artigo em inglês disponível em http://www.nanc.org/
 
Tradução: Tiago Abdalla T. Neto

 

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REPENSANDO A AMIZADE

22/06/2009 02:59

 

REPENSANDO A AMIZADE


Amizade é um tema bem amplo e, muitas vezes, esquecido, sem muita reflexão de nossa parte. Como bem destacou C.S. Lewis, poucos poemas ou romances modernos celebram o amor encontrado na amizade. Talvez, o real motivo por trás dessa desvalorização da amizade seja o fato de que raros são aqueles que a experimentam realmente.

É comum nos encontrarmos, em momentos, refletindo sobre a dificuldade de achar bons amigos. Como gostaríamos de experimentar a amizade de Davi e Jônatas! Mas, como isso parece impossível! Raramente, pensamos que o problema se encontra em nós, geralmente, são os outros que "não estão à nossa altura". A grande verdade é que a Bíblia nos fornece exemplos diversos de amizade e mostra a possibilidade de desenvolvermos relacionamentos com profundidade e lealdade. Nem todos serão amigos íntimos, com quem rasgamos nossos corações, mas, certamente, há aquele "mais chegado do que um irmão".

Quando avaliamos o propósito e objetivo de uma amizade, não podemos deixar de fazê-lo a partir das Escrituras. Elas são as lentes pelas quais enxergamos a vida, pois somente elas nos conduzem à perfeição das ações que Deus requer de nós (2 Tm 3.16, 17).

Diante, disso, nosso propósito maior em tudo o que fazemos deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Ao dar a Sua vida pelos seus amigos, Jesus estava promovendo a glória do Pai (Jo 15.12-13 com 17.1-4). A fim de atingir este propósito, a Bíblia nos orienta sobre alguns objetivos que devemos buscar com a amizade.

Em primeiro lugar, a amizade deve focar o aperfeiçoamento do caráter daqueles com quem compartilhamos momentos juntos (Pv 27.17). Tal aperfeiçoamento deve caminhar rumo ao caráter de Cristo (Rm 8.29). Isso requer de nós esforço impulsionado e experimentado pela esfera de vida no Espírito Santo (Rm 14.17-19). Contribuir para o crescimento espiritual de meu amigo e irmão em Cristo inclui tanto apontar erros que precisam ser corrigidos (Pv 27.5-6; Gl 6.1-2) quanto ser presente nos momentos difíceis (Pv 17.17).

Um segundo objetivo que devemos focar numa amizade é desenvolver o amor sacrificial pelos outros. A Bíblia diz que o solitário está em busca apenas de seus próprios interesses (Pv 18.1). Quando imitamos o amor sacrificial de Cristo por nós, tendo essa mesma atitude na direção de nossos irmãos, então, verdadeiramente se evidenciará que somos discípulos do Mestre (Jo 13.34-35). Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1 Jo 4.9-10, 19).

Este amor é visível em nós quando somos humildes na nossa atitude para com os outros, considerando os outros mais importantes que nós, focando nas necessidades do outro, antes que nas minhas (Fp 2.3-8). É perdoar nossos amigos quando estes falham conosco, evitando a difamação e amargura (Ef 4.31 – 5.2; Fp 4.2-3).
 
Pr. Tiago Abdalla T. Neto
 
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Graça Barata e Graça Preciosa

22/06/2009 02:55

 

Graça Barata e Graça Preciosa
Dietrich Bonhoeffer
 
A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quanto tem: a pérola preciosa, para adquirir a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga as suas redes e o segue. 
 
A graça preciosa é o evangelho que há de se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa ao condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-lo sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho - "fostes comprados por preço" - e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.

A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a Palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: "O meu jugo é suave e o meu fardo é leve" são expressões da graça.
 

Fonte: BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo, RS: Sinodal, 2001. p. 9-11
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NOSSA HERANÇA REFORMADA

22/06/2009 02:52

 

NOSSA HERANÇA REFORMADA
Resgatando Verdades na História

 


INTRODUÇÃO

Em 31 de Outubro, de 2007, a reforma protestante comemorou seus 490 anos, desde que um doutor, professor e pregador decidiu afixar suas 95 teses na igreja do castelo de Wittenberg. O nome dele? Martinho Lutero. A revolução apenas iniciada por essas teses, foi originada numa situação de degradação do maior poder religioso de sua época, a Igreja Católica Romana. Vários fatores contribuíram para o desencadeamento da reforma que Lutero propôs.
Primeiro, é importante lembrar que a reforma não nasceu com Lutero, na verdade, outros homens como John Wycliffe, John Hus, os valdenses, entre tantos, expressaram sua indignação diante da falência espiritual na vida religiosa de sua época. Uma quebra com o sistema segundo o qual funcionava a Igreja e um retorno à estima e consideração pela Bíblia como Palavra de Deus marcaram estes movimentos.

Aliás, a Bíblia foi um elemento determinante para o começo da reforma, desde que Lutero ousou questionar certas estruturas enquanto estudava as cartas do apóstolo Paulo, encontradas na Bíblia. Daí conceitos como Sola Scriptura, reconhecendo a Bíblia como autoridade máxima na vida da igreja e não o papa, nem a tradição. Dentro disso, também, vieram conceitos como sola gratia, sola fide e Solus Christus, quando, estudando a carta aos Romanos, Lutero descobriu a verdade de que “o justo viverá pela fé” (Rm 1.17), a qual é depositada na graça de Deus oferecida com base na obra de Jesus Cristo. Sendo assim, as famosas indulgências vendidas pela igreja de Roma, que prometiam a salvação eterna, eram uma contradição do evangelho encontrado nas Escrituras.

O ambiente da vida religiosa era terrível, as guerras promovidas pelos papas, excomungando reis que não quisessem se submeter a eles, filhos de nobres recebendo cargos na igreja, simplesmente pela riqueza e prestígio da família, e o comércio das prostitutas nas igrejas e em locais de peregrinação em Roma. Tudo isso deixava claro que a igreja nada mais era do que um comércio e uma fachada sacra que escondia a luta pelo poder, prestígio e riqueza de homens contaminados pela perversidade.

Ao observar este contexto, não posso evitar compará-lo com a situação religiosa evangélica de hoje e buscar resgatar princípios legados pelos reformadores. Cabe aqui lembrar que, assim como a reforma não começou com Lutero, também, não terminou com ele, pois, homens como João Calvino, Ulrich Zwinglio, John Knox, entre outros, deram continuidade importante e definiram melhor certas questões. Portanto, quando falo de princípios legados pelos reformadores, não me limito a Lutero, mas, o incluo como parte do todo.

Diante dessa introdução, passo a destacar duas verdades legadas pela reforma, fundamentadas no Sola Scriptura, que são, por demais, pertinentes para os nossos dias.

1. TEOLOGIA DA CRUZ

Por que a primeira verdade que desejo destacar é esta? Simplesmente, porque passamos por uma verdadeira crise, a igreja evangélica de hoje tem perdido esta perspectiva que Lutero tanto enfatizou sobre uma teologia centrada na cruz, onde o homem conhece a Deus por meio do escândalo da cruz e não por seus próprios méritos (1 Co 1.18-25). Enquanto tal teologia buscava conhecer a Deus desta forma, o outro modo, pelo qual os teólogos da época buscavam conhecer a Deus, foi denominado por ele como teologia da glória, na qual a razão tinha a primazia e se buscava chegar até Deus por meio dela.

Esse movimento ficou conhecido na história como escolasticismo, período em que a filosofia de Aristóteles dominou a teologia, e se exigia que aqueles que pretendessem trabalhar neste campo, obtivessem um adequado conhecimento da filosofia aristotélica. O que acontecia era que a revelação de Deus, encontrada na Bíblia, ficava de lado e não recebia a importância que merecia. Diante disso, o homem buscava fazer seus próprios caminhos para alcançar Deus, no lugar de aceitar a revelação suprema em Jesus e Sua obra. Assim, o homem criou um Deus à sua imagem.
Lutero passou a denominar como teologia da glória qualquer teologia contrária àquela proclamada no evangelho. O papismo e suas indulgências, também, foram alvos de suas críticas por depreciar a cruz de Cristo. As crendices em relíquias religiosas eram rejeitadas, da mesma forma, pelo teólogo alemão.

Penso em como isso afeta a nossa teologia, hoje. É muito comum ver a ênfase moderna evangélica cada vez mais no homem e menos em Deus. Tem-se enfatizado muito certos mediadores e seus poderes. São os apóstolos, bispos e missionários, cuja oração e interpretação da Bíblia possuem um poder superior às dos outros. Se você colocar a mão sobre seu problema físico, enquanto o missionário orar, ele já não mais existirá. Se você, receber a água do rio Jordão (que, aliás, vem num copinho embalado) ou a rosa consagrada, então você prosperará. Tudo isso são maneiras humanas de se achegar a Deus, no lugar de buscar conhecê-lo por meio da revelação dEle nas Escrituras. Não basta a mensagem do evangelho, é preciso que se acrescente algo mais a ela.

O mercado religioso que temos visto, hoje, não é muito diferente do mercado religioso da época de Lutero, em que as indulgências da época eram condição para a salvação. Hoje, para Deus abençoá-lo, é necessário dar e dar, a fim de que Deus o recompense. Se você quer prosperidade, cura, sucesso nos relacionamentos afetivos, você precisa dar o trízimo (o dízimo de cada Pessoa da Trindade!), para barganhar com Deus os seus desejos. Isso não é teologia da glória? O homem tentando alcançar as bênçãos com o seu próprio dinheiro. Deus deixou de nos abençoar por pura graça, agora Ele abençoa porque precisa de uns trocados nossos para realizar o trabalho dEle.

2. A CONDIÇÃO DECAÍDA DO HOMEM

Ao entender que a salvação humana deveria ser alcançada pelo próprio indivíduo, em cooperação com Deus, a teologia católica medieval (que, diga-se de passagem, não difere em essência do que é hoje) tinha como ponto de partida uma visão otimista do homem, diferente daquela encontrada nos reformadores. Essa visão católica ficou conhecida como semi-pelagianismo ou sinergismo e desconsiderava o fato, desde o princípio exposto nas Escrituras, de que o homem é totalmente depravado e completamente incapaz de se achegar a Deus por si mesmo.

Foi contra essa alta estima da condição humana que os reformadores se levantaram. Lutero entendia, baseado em Romanos 1, que, devido ao pecado, o homem rejeita a adoração verdadeira a Deus em favor de ídolos. Foi de João Calvino a famosa frase que definia o coração humano como uma fábrica perpétua de ídolos. “O homem inteiro, em si mesmo, nada mais é do que concupiscência”[1].

Para João Calvino, o pensamento de que o homem era bom, excelente e capaz era expressão de um “cego amor próprio” perigoso. Devíamos começar com a perspectiva da nossa nobreza original e como ela foi perdida com a queda. Ao ver nossa condição anterior e nossa condição presente, entendemos a grandeza de nossa miséria e ansiamos pela dignidade de outrora. David Engelsma captou bem a perspectiva de João Calvino ao intitular seu artigo Apenas um asqueroso mau cheiro: a doutrina de Calvino acerca a condição espiritual do homem caído[2].

Agora, tudo isso não deve nos levar a uma conformação com esse estado de total depravação, “mas assim, tendo completo conhecimento de nossa miséria, podemos ser levados a Cristo, que é enviado para ser um médico aos doentes, um libertador aos cativos, um confortador aos aflitos, um defensor aos oprimidos (Is 61.1)”[3]. Cristo, então, passa a ser a única solução para o homem, tanto para a sua justificação quanto para uma vida corretamente direcionada na adoração do único Deus.

Precisamos resgatar as verdades do pecado original e depravação total que nos levam a depender exclusivamente de Cristo e enxergar as anomalias da alma humana como resultado de um coração pecador, não como um distúrbio psíquico ou meramente como fruto de causas orgânicas. Jay Adams e todos aqueles que deram continuidade ao seu trabalho vêm resgatando essa verdade da pecaminosidade humana, no aconselhamento bíblico. John MacArthur nos lembra da incompatibilidade entre a psicologia secular e a visão reformada e bíblica da pecaminosidade humana[4].

Creio, sinceramente, que resgatar a perspectiva correta da condição decaída do homem trazida pela reforma, é retornar a um aconselhamento que leva a sério o pecado. Nas comunicações de uma semana de estudos, de uma determinada faculdade teológica, ouvi um professor dizer que no processo de disciplina em sua igreja, com uma pessoa que estava sendo tratada por causa de roubo, ao invés de confrontarem o pecador em seus erros, o levaram para um tratamento psicológico, já que fora diagnosticada como cleptomaníaca.

Francamente, isto não é levar o pecado a sério como a Bíblia mostra nem como os reformadores entenderam. Esse tipo de teologia que se vende ao papismo da psicologia secular não é teologia reformada, muito menos bíblica. Urge resgatarmos tanto teoricamente, como de forma prática, o entendimento de que somos simul justus et peccator, que, ainda que considerados justos perante Deus e, regenerados pelo Espírito Santo, temos uma natureza pecaminosa que precisamos fazer morrer, diariamente (Rm 8.13; Cl 3.5). É esse entendimento reformado do homem, que os puritanos, mais à frente, desenvolveram de modo muito perspicaz, e que necessitamos resgatar como evangélicos protestantes, hoje.

Precisamos parar de rotular pessoas como “cleptomaníacas”, “bipolares”, “anorexas”, “portadores de transtornos obsessivo-compulsivos”, etc, levando-as à prostituta diabólica da razão psicológica[5] para resolverem seus problemas. Ao contrário, devemos confrontar o pecador com seu pecado e maldade, conduzindo-o à Cristo e Sua obra, como o único remédio para a sua restauração conforme a imagem do Criador (Ef 2.22-24; Cl 3.9-10). Cristo e as Escrituras sempre serão suficientes para transformar nossa condição miserável decaída.

CONCLUSÃO

Espero, neste estudo, ter promovido uma reflexão do princípio “reformado sempre reformando”, pois, necessitamos, continuamente, avaliar nossa teologia e práxis cristã, à luz das Escrituras e retornar aos pontos fundamentais de nossa fé.

A cruz de Cristo deve ser resgatada e suas implicações tanto no nosso entendimento da salvação, suas bênçãos e da vida de discipulado. Negando nos prostrar diante dos super-homens, e “aceitar a Cristo ... conhecê-lo como um dom e favor” que nos foi dado e nos pertence, de tal maneira que, quando o vemos ou o escutamos o que Ele faz ou sofre, não devemos duvidar de que Ele mesmo, Cristo, com tal obra e sofrimento seja nosso[6].

Por fim, nossa pecaminosidade nunca deve ser desprezada nem ignorada, porque, fazendo isso, desprezaríamos a Pessoa de Cristo e Sua obra em nosso favor. “... para receber as bênçãos de Deus nenhuns se admitem, senão os que do senso de sua pobreza se consomem”[7].
 
Pr. Tiago Abdalla T. Neto
 

[1] Calvino, João apud George, Timothy. Teologia dos reformadores. p. 214.
[2] ENGELSMA, David. “Nothing but a Loathsome Stench”: Calvin’s Doctrine of the Spiritual Condition of Fallen Man. In: Protestant Reformed Theological Journal, April 2002.
[3] CALVINO, João Apud ENGELSMA, David. “Nothing but a Loathsome Stench”: Calvin’s Doctrine of the Spiritual Condition of Fallen Man. In: Protestant Reformed Theological Journal, April 2002.
[4] Ver MACK, Wayne, JÚNIOR, John MacArthur. Introdução ao Aconselhamento Bíblico. p. 26-27, 123-141.
[5] Encontro minha inspiração em Lutero quando uso este termo, especialmente quando ele abordava a questão da filosofia aristotélica.
[6] LUTERO, Martinho. Comentarios de Martín Lutero: Primera y Segunda de Pedro, Judas y Primera de Juan. p. 12.
[7] Calvino, João apud George, Timothy. Teologia dos reformadores. p. 215.
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A SUFICÊNCIA DE CRISTO NA LIMITAÇÃO HUMANA

15/06/2009 04:22

 

A SUFICIÊNCIA DE CRISTO NA LIMITAÇÃO HUMANA
Marcos 6.35-44

INTRODUÇÃO
 
Não posso deixar de rir ao recordar de uma situação que ocorrera comigo há cerca de sete anos atrás. Uma amiga minha, que estava no terceiro colegial, dava aula num cursinho popular de vestibular, para a comunidade. Como eu havia passado uns dois anos estudando para o vestibular de Escola Técnica, mesmo estando ainda no segundo colegial, decidi aceitar o desafio dela para dar aulas da matéria de química no cursinho.

Fiz a entrevista com a coordenadora do curso e fui aceito como docente. O cômico é que depois de me comprometer, um dia antes da minha primeira aula, comecei a "tremer na base" e sentir bastante medo de enfrentar aquela situação. Disse aos meus pais que eu não daria mais a aula e pedi que um deles desse a aula em meu lugar. Graças a Deus, acabei enfrentando a situação e foi uma experiência enriquecedora.

Mas, não é incomum lidarmos com situações como a que descrevi acima, em que nos sentimos totalmente incapazes de enfrentar. Tentamos fugir, evitar e não precisar passar por elas. Pensamos que fracassaremos e nos frustraremos. Lembro de uma amiga que, apesar de sua preparação num seminário teológico e piedade, sempre era perseguida pelo medo de assumir responsabilidades em sua igreja local. Sentia-se incapaz, inapta e, por fim, ficava paralisada diante da oportunidade de servir.

Hoje, encontraremos os discípulos de Jesus experimentando essa inadequação diante do desafio oferecido por Ele. É nesse momento, então, que presenciam a suficiência de Cristo em suas limitações.

NOSSA INSUFICIÊNCIA SE EVIDENCIA DIANTE DA ENORME NECESSIDADE HUMANA – vv. 35-38

No texto anterior de Marcos, vemos o retorno dos discípulos a Jesus, após a missão que Ele lhes encarregara. Na volta, Jesus os convida para se retirarem de barco e descasarem um pouco. Após a viagem pelo mar da Galiléia, descobrem que havia uma grande multidão os esperando ansiosa. Movido por compaixão, Jesus se volta para aquelas pessoas e passa a ensiná-las.
Ao olharmos para esta passagem, não podemos nos esquecer que Jesus está treinando seus discípulos e preparando-os para o ministério. Nela, Jesus busca ensiná-los a depender dEle, assim como exerceram sua missão debaixo da autoridade do Mestre (Mc 6.7-13).

Como o Pastor que supre a necessidade das ovelhas num amplo pasto verdejante, Jesus passou um bom tempo ensinando àquelas pessoas, a ponto de ser hora avançada para que elas pudessem viajar e encontrar alimento necessário para o restante do dia. Cientes disso, os discípulos passam a avisar Jesus do horário e da necessidade que elas tinham de comprar o alimento para a noite. O verbo imperfeito no grego denota um aviso contínuo dos discípulos ao Mestre. Usando um pouco de criatividade santificada, talvez, a cada cinco minutos vinha um deles e o lembrava do horário.

Jesus responde àqueles homens jogando sobre eles a responsabilidade de alimentar a multidão, "Dêem-lhes vocês de comer". Ele não se limitou, apenas, em se preocupar com as pessoas na questão do horário oportuno para adquirirem seu alimento. Foi muito além, queria proporcionar-lhes o próprio pão de que precisavam.

Sem entender Jesus, os discípulos manifestam sua total incapacidade de fazer aquilo que Ele dissera. De onde eles tirariam duzentos denários, oito meses de salário de um trabalhador, para comprar pão suficiente àquela multidão?! Jesus pergunta sobre a quantidade de comida que havia entre eles. Eles vão atrás para saber e descobrem que havia apenas cinco pães e dois peixes. Como alimentariam mais de cinco mil pessoas com essa quantidade de comida?!

Fica evidente, portanto, a total incapacidade dos discípulos, com todos os seus recursos, de prover o alimento àquela multidão que se reunira ao redor de Jesus. Aqui, o Mestre começa a desmontar qualquer auto-suficiência humana. É exatamente este tipo de confissão que Ele queria ouvir e escuta: "Não podemos alimentar este povo!". Somente quando se reconhece a limitação humana para realizar algo, por si só, que se inicia a experiência da suficiência de Cristo em nossas vidas.

Que situações de sua vida você se sente incapaz de enfrentar? Onde você tem percebido suas limitações?

Talvez numa tarefa do trabalho que você encontra dificuldades para realizar devido à falta de recursos ou limitação pessoal. Ou percebe a dificuldade de lidar com pessoas no seu emprego que o desprezam ou o tratam com indiferença e já não sabe mais como responder a elas.

Pode ser a dificuldade de evangelizar os que estão ao seu redor, percebe apatia em sua vida espiritual para com aqueles que estão perdidos, mas, ao mesmo tempo, não consegue encontrar motivação para compartilhar da salvação.

Quem sabe tem sido dominado pelo medo de assumir responsabilidades que o Senhor tem lhe concedido para serví-lo, por temer pelo seu desempenho. Talvez, haja um pecado que o assedie e muitas vezes conquiste espaço em sua vida e parece que é impossível vencê-lo.

Se você percebe sua pequenez e insuficiência em algumas destas situações, é exatamente aí que Deus deseja chegar com você. Porque a força e o poder para enfrentá-las não reside em nós, mas na Suficiência do nosso Salvador, como o texto continua a mostrar.
 

A SUFICIÊNCIA DE CRISTO SE MANIFESTA POR MEIO DE NOSSA INSUFICIÊNCIA – vv. 39-41

É muito interessante que, apesar da limitação dos discípulos, Jesus os envolve, bem como os seus recursos, na demonstração de Sua divindade e suficiência.

Primeiramente, lhes dá a incumbência de organizarem as pessoas em grupos, sentados sobre a grama verdade do monte. Os discípulos cumprem a ordem do Mestre e dividem a multidão em grupos de cinqüenta e de cem.

Depois, num gesto gráfico descrito por Marcos, ele toma os pães e peixes, ergue os olhos para o céu, dá graças e parte os pães. O Filho não pôde deixar de reconhecer a presença do Pai no suprimento do alimento, como ensinara constantemente a seus discípulos (Mt 6.9-11, 25-33). O gesto de quebrar os pães e distribuí-los era comum aos hospedeiros judeus que iniciavam a refeição, quebrando o pão em pedaços e distribuindo aos seus convidados. O banquete aqui é certamente um contraste marcante com o banquete oferecido por Herodes, há poucos versículos atrás. Enquanto no de Herodes, prevaleceu a injustiça e desonra contra um inocente, aqui o amor e justiça de Jesus foram evidentes na distribuição do alimento.

Além de usar o recurso limitado dos discípulos, cinco pães e dois peixes, Jesus os envolve na distribuição do alimento que é dado a todos, sem exceção. É na insuficiência dos discípulos que Jesus revela Sua completa suficiência e os torna cooperadores no ministério que proclama Sua glória e graça divina à multidão ali presente. Somente o próprio Deus poderia alimentar aquela imensa multidão e multiplicar o alimento. À semelhança do suprimento do maná no deserto durante o êxodo, aqui o próprio Deus encarnado supre a multidão no deserto.

Jesus continua a nos convidar para participarmos do serviço que promove a Glória da Graça Suficiente dEle. Fomo salvos para o louvor da Sua gloriosa graça (Ef 1.6)! Apesar de nossas limitações, Ele nos chama a participarmos da promoção de Seu reino entre os homens. Não porque somos bons, capazes, ou sábios, mas exatamente o contrário, é por meio dos fracos deste mundo que Deus que Deus demonstra o Seu poder (1 Co 1.25-27).

Encaramos os desafios do trabalho e os relacionamentos difíceis sustentados pela graça de Deus que nos capacita a realizar a Sua vontade. Evangelizamos motivados pelo amor de Cristo que nos constrange e que foi derramado em nossos corações por Deus mediante Seu Espírito (2 Co 5.14, 15; Rm 5.5).

Servimos a Ele, motivados pela Sua graça que nos salvou e nos chamou para servir (1 Tm 1.12-14; 2 Tm 1.8-11). Vencemos o pecado que nos assedia pelo poder de vida do Espírito Santo (Rm 8.1-14; Gl 5.16-18, 24-25).

Nada fazemos porque temos força suficiente em nós mesmos, mas porque a salvação que nos alcançou nos capacita a viver, a fim de promover a glória da graça suficiente de Deus, para que outros a vejam e a conheçam.

A SUFICIÊNCIA DE CRISTO SATISFAZ PLENAMENTE A NECESSIDADE HUMANA – vv. 42-44

No final do texto, encontramos o relatório de que todos comeram, a ninguém faltou nada, mas todos se fartaram. Ainda sobrou alimento. Foram doze cestos cheios de pedaços de pães e peixes! Mais de cinco mil pessoas se alimentaram muito bem com apenas cinco pães e dois peixes! Cristo satisfez a necessidade das pessoas naquele momento. Os discípulos poderiam ter certeza de que debaixo de Seu senhorio desfrutariam do mesmo cuidado e nada lhes faltaria, toda necessidade seria plenamente satisfeita.

Jesus é suficiente para suprir todas as nossas necessidades, como diria o salmista, Ele é o nosso Pastor e nada nos faltará! (Sl 23.1). Não podemos jamais confundir desejos e ambições com necessidades. Nossa insatisfação com a suficiência de Cristo é exatamente porque queremos beber da água que não mata a sede. Investimos nossos recursos naquilo que não é pão e nem satisfaz (Is 58.1-2). Aí, agimos como o povo de Israel no deserto que, apesar do cuidado contínuo e sempre presente de Deus, nunca se alegrava na suficiência de Deus.

Precisamos crer que a presença de Cristo é e sempre será suficiente em nossas vidas. Independentemente, de termos uma namorada ou namorado, uma família estruturada, ou aquele aumento tão desejado. Como bem lembrou Sérgio Pimenta, não é "a casa repleta de amigos, paredes e pisos coberto de bens", nem curtir "um fim de semana" que nos trará satisfação.

A felicidade em nossas vidas se dá por meio da confiança no cuidado sábio e amoroso que nosso Salvador e Senhor tem por nós.
 
Pr. Tiago Abdalla T. Neto 
 
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